A Saudade Sob Outra Ótica

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Sempre que alguém me fala de saudade, invariavelmente meu posicionamento é que saudade consiste em algo gostoso de se sentir e que trata-se de um sentimento nobre. Invariavelmente também sou questionado. Normalmente meus interlocutores a descrevem como algo maléfico, ruim de se sentir. Um sentimento do qual devemos fugir. Certa vez fui até “acusado” de sadomasoquista por apreciar senti-la. Com relação a tal definição, pode ser que não tenha sido tão claro nas colocações que me renderam o título. Obviamente não me senti incomodado por receber o adjetivo, mas tal fato levou-me a pensar que provavelmente não tenha sido claro também nas outras ocasiões. Pois bem, tratemos de esclarecer… Aprecio e considero sim, bastante nobre este sentimento. Isso não quer dizer que eu aprecie estar separado ou mesmo distante  de pessoas que de quem eu gosto. Tampouco, significa que não valorizo a presença delas. Pelo contrário,  justamente por valorizá-las sinto o coração encher-se de ternura e a mente emanar bons sentimentos quando elas me vêm ao pensamento. Sinto enorme alegria em me lembrar de que existem pessoas que modificam positivamente a minha existência. Que mesmo estando distantes conseguem mexer com minhas emoções. Por isso mesmo e também por outros motivos, as considero pessoas importantes em minha vida. Penso que quem não gosta da saudade não pode ser capaz de sentir inteiramente a indescritível sensação do reencontro. Imagino que seria muito triste se não existissem pessoas que nos fizesse sentir aquela espécie de vazio em nosso interior. Uma “quase dor” sentida bem no fundo do peito. Pessoas que conseguem nos fazer perceber o quanto somos capazes de amar e sermos amados. Que mesmo distantes têm o incrível poder de nos emocionar. Apenas por isso considero que sentir saudade pode sim, ser visto como algo positivo. Triste mesmo seria não ter ninguém de quem sentir saudade. Portanto, mesmo respeitando a maneira de pensar dos meus interlocutores, e que acredito, inclusive, ser a forma de pensar da maior parte das pessoas, ainda que incompreendido, prefiro continuar “apreciando” a saudade. E que cada vez mais, existam pessoas de quem eu possa senti-la. Que a distância  seja passageira, mas que o sentimento seja nobre e preferencialmente, gostoso de se sentir.

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Tente Como Se Fosse Possível

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Não havia me preparado adequadamente para aquela prova de atletismo. Faltou tempo ou até mesmo falta de disposição da minha parte. O fato é que no dia da corrida não me sentia fisicamente inteiro. Somando-se a isto, o dia amanheceu com a temperatura extremamente alta e com baixíssima umidade relativa do ar. Como se não bastasse, as pessoas que me acompanhariam tiveram outros compromissos de última hora e não puderam estar presentes. Motivos para que eu desistisse não faltavam. Foi com o ânimo bastante comprometido que iniciei a prova. Dez quilômetros a serem percorridos, em condições normais não me assustariam. Ocorre que definitivamente, as condições postas não favoreciam e todos os indicativos apontavam para minha desistência. Pouco antes da metade da prova este era o pensamento predominante em minha mente. Além das questões climáticas e físicas, em cada metro percorrido buscava entre os corredores e nas pessoas que via ao longo do percurso, um gesto de apoio e que me motivasse a seguir correndo. Inutilmente procurava entre a multidão algum conhecido que me desse um fôlego extra para fazer-me chegar ao final. Não havia ninguém… Nenhuma palavra de incentivo. Numa derradeira tentativa, busquei em meu próprio interior o último átimo de esperança de resistir. Num impulso percebi que se não havia ninguém que me incentivasse, também não havia ninguém para me fazer acreditar que seria impossível. Ninguém para me dizer que eu não conseguiria… Ninguém para me fazer desistir. Naquele momento era somente eu comigo mesmo. E foi justamente do meu íntimo que surgiu toda a força da qual eu precisava para seguir. E acreditando que seria possível, senti minhas forças se recuperarem e como se um milagre houvesse acontecido, a cada passada que eu dava era como se eu me agigantasse e me tornasse cada vez mais forte. Se foi milagre ou não, nunca me importou. Fato é que desde então descobri que dentro de cada um existe uma força oculta e por vezes inexplicável. Recorrer a ela ou não é uma simples questão de escolha. Nossos caminhos podem nos reservar inúmeros obstáculos. A caminhada pode até não ser fácil. Muitas vezes, porém, buscamos desculpas para não seguirmos em frente. Esperamos que os outros decidam por nós ou nos façam acreditar que não somos capazes. Na maior parte das vezes é realmente muito mais fácil nos rendermos e nos mantermos na zona de conforto. Quantas tentativas frustradas… Quantas vezes utilizamos uma dose generosa de energia sem conseguirmos nossos objetivos… Com tantos fracassos acabamos nos desiludindo e optamos pelo mais simples: Desistir de lutar. Isso não aconteceria se recorrêssemos à essa estranha força que temos dentro de nós. Se não acredita, experimente tentar. Acredite que é possível e faça. Se surgirem obstáculos (e surgirão), supere-os. Se alguém disser que é impossível, ignore. Ainda que possa parecer impossível, TENTE COMO SE FOSSE POSSÍVEL. Tente, com a convicção de que , de fato é possível, e um “milagre” poderá acontecer.

Não Se Engane Pelas Aparências

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Dia desses ocorreu-me um fato um tanto quanto inusitado. Um cidadão buscava orientações acerca da legislação para reconstruir a calçada de acordo com as normas exigidas pelo Poder Público. Dissera que havia contratado bons arquitetos e que estava certo de que o projeto da sua construção seria aprovado na Prefeitura. Ficou muito surpreso e chateado quando da visita do engenheiro vistoriador, pois ficou sabendo que, embora a construção estivesse  toda correta, deveria reconstruir a calçada, pois ela não estava em conformidade com os parâmetros exigidos pela legislação. Demonstrando até certa inocência, disse não entender porque teria que consertá-la, pois havia comparado previamente e fez questão de construir a calçada mais bonita da rua. Ao ouvir tal indagação, no primeiro momento tive vontade de rir, mas me contive e a conversa prosseguiu com as devidas orientações, findas as quais o cidadão se deu por satisfeito e cada qual seguiu seus afazeres. À noite como de costume, fazendo uma espécie de leitura dos acontecimentos que me ocorreram ao longo do dia, coloquei-me a refletir sobre aquela conversa. Ela nos trazia uma lição das mais simples e que nos ocorre com muita frequência, mas também com muita frequência não a percebemos e não aprendemos aquela velha lição ensinada por Antoine de Saint-Exupéry que dizia que o essencial é invisível aos olhos. Para realizar a sua tarefa de construir a calçada o cidadão se baseou na aparência e não na essência. Obviamente não haveria nenhum problema em querer uma calçada bonita, talvez a mais bela da rua, afinal de contas é a parte frontal à sua casa e, certamente o primeiro lugar a ser visto e “avaliado” em seu imóvel. Mas os detalhes técnicos foram negligenciados. Ele se ocupou apenas da parte visual. Acontece que a aparência apenas não garante absolutamente nada. É preciso irmos além. É necessário buscarmos a essência. A essência é aquilo que não pode faltar sob nenhuma hipótese. São as coisas verdadeiramente importantes. Aquele episódio levou-me a refletir o quanto somos assim em nosso cotidiano. O tempo todo estamos “avaliando” e julgando baseados apenas e tão somente em aparências. Por outro lado,  nos importamos também em nos mostrarmos apenas superficialmente. Afinal de contas, é assim que os outros irão nos “avaliar”… Nos esquecemos, portanto, de cuidar da nossa essência. Daquilo que realmente importa… Do nosso caráter, da ética, da integridade. Muitas vezes nos decepcionamos quando conhecemos uma pessoa de perto e passamos a conviver com ela. Isso é bastante comum e absolutamente normal. Sim, as pessoas têm defeitos. Todos temos… Mas se todos temos defeitos, porque a decepção quando nos tornamos mais próximos? Certamente porque as expectativas criadas se basearam nas aparências… Nos enganamos pelas aparências, porque nossos olhos são atraídos para aquilo que é belo. Com os olhos conseguimos enxergar a beleza, mas não conseguimos enxergar o que importa. Não devemos, pois, criarmos expectativas pelas aparências, em contrapartida, não devemos ter medo de nos aproximar das pessoas. Somente depois de nos aproximarmos é que poderemos finalmente conhecê-las. Conhecer suas virtudes, mas também seus defeitos e suas fraquezas, seus medos e seus anseios. Conhecê-las verdadeiramente… Conhecê-las além do que os olhos podem ver… Conhecê-las em sua essência… Porque como disse o mestre, só se vê bem com o coração… O essencial é invisível aos olhos.