Quando Ele Se Foi

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O dia começou como um outro qualquer. A noite havia transcorrido sem nenhum sobressalto e como fazia normalmente quase todos os dias, ele saiu cedo da cama e preparou o café da manhã. O sol mal tinha acabado de raiar e la estava ele com seus passos firmes e apressados. ” Calma vô!!! Não precisa andar tão rápido!” Indagou a neta que por coincidência saíra de casa no mesmo momento. Ele sabia como poucos, ser curto sem ser grosso, assim, sem esboçar nenhum sorriso, a resposta não poderia ser outra: “Não sei andar devagar”… Na verdade esses passos rápidos eram muitas das vezes desnecessários. Não desta vez… Desta feita havia um encontro marcado. Um encontro cercado de mistérios e para evitar maiores sofrimentos, inadequado que acontecesse na presença de um ente querido. Precisava, portanto, se apartar da neta para aquele fatídico encontro. O encontro fora marcado unilateralmente e embora, indesejado por uma das partes, era algo do tipo inexorável. Indesejado, inexorável e de certa forma abrupto, mas ao mesmo tempo casual e sereno. Casual e sereno, mas definitivo… Irrevogável!!! Alguns desavisados ainda tentaram intervir fazendo massagens cardíacas buscando uma reanimação, mas o encontro estava consumado. O encontro com a morte deveria ser sempre assim. Ainda que indesejado e inevitável, calmo e sereno. Serenidade, a propósito, foi uma das características mais marcantes do meu velho. Agora que ele se foi, não poderia me afastar desse seu preceito. A dor pela “perda” pode ser desmesurável, mas não há de ser forte o suficiente para abalar a certeza de saber que a morte não é o fim. A dor momentânea não se transformará em lamentos ou sofrimentos. Serenamente ela irá passar… Em seu lugar apenas saudade e exemplos a serem seguidos. Não tenho mais sua presença física, mas isso é apenas um detalhe. Paradoxalmente essa ausência me fará sentir cada vez mais próximo dele. Acho que eu deveria viver alguns séculos para colocar em prática todas as lições que ele me deixou como legado. PAI, de antemão, peço que compreenda se porventura, eu fraquejar e me afastar de alguns dos seus ensinamentos. Estou certo de que não conseguirei evoluir tanto apenas nessa vida. Ainda assim, farei de tudo para que você se orgulhe de mim quando nos reencontrarmos. Tenho certeza de que você há de entender minhas limitações. Por agora me comprometo a dar o melhor de mim, para quem sabe, quando se der esse nosso próximo encontro, podermos nos abraçar e dizermos um para o outro que nada foi em vão. TUDO VALEU A PENA.

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