Sobre a Amizade

Amigo..

Hoje é dia do amigo, uma data para ser realmente comemorada, porque afinal de contas, a amizade é algo fundamental na vida de qualquer pessoa. Todas as homenagens a ela dedicadas seriam poucas e um dia apenas, certamente é insuficiente para cultuarmos algo tão grandioso. Uma amizade verdadeira deve ser venerada todos os dias de nossas vidas. Porém, já que o dia de hoje é dedicado especialmente ao amigo, aproveito o ensejo para refletir um pouquinho sobre o que seria, de fato a amizade. Às vezes algumas pessoas confundem o que seria um verdadeiro amigo. Aquela pessoa que sempre te recebe com um largo e agradável sorriso cada vez que te encontra é uma pessoa alegre e extrovertida, mas não necessariamente é um amigo. Aquele que sempre lhe dirige palavras elogiosas tentando elevar sua estima e seu astral pode até ser uma pessoa gentil e simpática, mas pode não ser exatamente um amigo. Uma pessoa que está sempre de bom humor e sua alegria acaba contagiando o ambiente e consequentemente alegrando também o seu dia é apenas uma pessoa bem humorada, o que não quer dizer que seja seu amigo. Agora, se essa pessoa bem humorada tem um astral tão bom que faz com que você tenha vontade de estar muitas vezes perto dela, ela certamente é uma pessoa carismática, o que também não quer dizer que seja uma pessoa amiga. Aquela pessoa que está sempre puxando assunto, querendo saber das novidades, com uma necessidade enorme de conversar o tempo todo pode até ser uma pessoa que se interessa por você. Pode ser também que seja apenas uma pessoa que gosta da sua presença ou da sua conversa ou pode ser ainda somente uma pessoa carente afetivamente e por isso necessita da sua presença. Isso apenas, não a faz sua amiga. Uma pessoa que está sempre enaltecendo e proclamando apenas e tão somente suas qualidades e suas virtudes. Uma pessoa incapaz de ver um único defeito em você é uma pessoa bajuladora e provavelmente está longe de ser sua amiga. Uma pessoa amiga admira suas boas qualidades, contudo, não omite ou traveste seus defeitos. Enfim, se você tem sempre por perto pessoas alegres e extrovertidas, gentis e simpáticas, bem humoradas e carismáticas. Pessoas que curtem sua presença e gostam da sua companhia você deve se sentir um ser agradecido. Mas se além disso você tem uma pessoa que mesmo que não esteja sempre com você… Está sempre disposta a te ajudar nos momentos mais improváveis. Uma pessoa que mesmo que não seja perfeita… Seja perfeitamente capaz de te encantar. Que mesmo que extremamente complicada… Seja pelo menos parte da solução dos seus problemas. Mesmo que seja louca… Consiga te dar equilíbrio. Alguém que seja capaz de olhar nos seus olhos e dizer que te ama, mesmo conhecendo todos os seus defeitos. Uma pessoa que mesmo que não esteja ao alcance dos seus olhos… Seu coração se enternece apenas por saber da existência dessa pessoa. Se no seu íntimo você tem certeza que pode contar com essa pessoa em todos e quaisquer momentos de aflição, considere-se uma pessoa privilegiada e abençoada… Você certamente tem um AMIGO.

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Meu amigo e às vezes tradutor Daniel Castro me chamou a atenção para o blog de poesias do Daniel Gil, doutorando em Letras Vernáculas/ Literatura Brasileira pela UFRJ e poeta. Recomendo a todos meus seguidores a leitura de suas poesias, no site danielgil.com.br e inauguro a seção de Leituras Recomendadas no canto direito aqui do blog.

“Viver a Vida Novamente”

Vida

Em algum momento você já imaginou como seria sua vida se pudesse vivê-la novamente? Essa é uma pergunta que todos deveriam se fazer em algum momento da vida. Em princípio pode parecer uma grande bobagem ou delírio pensar sobre algo absolutamente impossível de acontecer. Afinal de contas, a morte é o final de todos e em que pese haver crenças em formas diversas de reencarnações, fato é que sob a ótica da ciência moderna a vida é finita e a morte irrevogável. Questões religiosas e científicas à parte visto que o viés aqui pretendido é meramente reflexivo, um belo dia coloquei-me a imaginar a vida sob dois modelos. Inicialmente tentei imaginar como seria minha vida (ou pelo menos aquilo que eu julgava ser minha vida) sem mim. Logo conclui que isso não faria muito sentido. Meus pais, meus filhos, meus irmãos e amigos, meu trabalho, lugares que gosto de frequentar, minha casa, objetos que acumulei ao logo da minha existência, enfim tudo aquilo que pensava como parte integrante da minha vida continuaria existindo tal e qual existe mesmo quando eu já não estiver por aqui. Talvez ficassem, pelo menos entre os mais próximos, algum rastro de saudade ou pequenos resquícios de lembranças do que fui, mas de certo mesmo é que inapelavelmente a vida continuaria como se eu jamais houvesse estado aqui. No primeiro momento, pensar assim me fez sentir como um ser um tanto quanto insignificante. Mas esse sentimento me conduziu logo ao outro modo de ver a vida. Passei então a imaginar minha vida se eu pudesse vivê-la novamente. Ver, rever e rever novamente um filme com uma lente de Sir Sherlock Holmes buscando encontrar todos os erros e acertos consistiu a tarefa inicial. Fazer uma retrospectiva da minha vida foi um exercício altamente revelador. Engraçado como somos tendenciosos ao avaliarmos a nós mesmos… Na nossa vidinha medíocre quase sempre encontramos explicações para a maior parte dos nossos erros. Há sempre uma justificativa para os atos mais reprováveis. Infalivelmente encontramos culpados para nossos fracassos, e nossos medos são quase sempre acompanhados de explicações plausíveis. Raríssimas vezes assumimos nossas fraquezas e preferimos buscar absolvição para nossas falhas. De mais a mais, de que adiantaria reconhecer tantos erros e reivindicar mudanças se não podemos voltar no tempo. A vida é só uma e não admite retrocedermos no tempo. O que foi feito não volta mais e se arrepender é uma grande bobagem. De fato é impossível rebobinar a fita do “nosso filme” e consertar o que fizemos de errado ao longo da nossa vida. Mas por outro lado é perfeitamente possível e desejável rebobiná-lo para refletirmos sobre os erros cometidos e a partir de então, escrevermos uma história diferente. Aproveitemos enquanto o filme está rodando. Se não podemos mudar o início, não nos conformemos se o enredo não está da forma desejada. Modificar o final do filme só depende de nós mesmos. Se pensarmos bem, veremos que não é nada assim tão difícil.  Algo como vulgarmente chamamos de “mudar de vida”… Como não temos direito a uma segunda vida, podemos fazer direito a segunda parte da nossa única vida.