Tristeza ou Felicidade: Uma questão de Escolha

Ser feliz

Por um instante senti o coração acelerar… Embora tivesse certeza de que a pergunta um tanto quanto indiscreta ficaria sem resposta, aquela sensação era o prenúncio de que eu não havia me enganado. Ainda que a resposta não me fosse dada, algo revelava certa tristeza nas frases da minha interlocutora. Mas a resposta veio mesmo que nas entrelinhas. “Algumas vezes sim… Muitas vezes”. Incrível como algumas percepções nos chegam quando menos esperamos. A conversa estava amena como de costume, mas, em meio ao nosso palavrório aquela tristeza parecia gritar silenciosamente como que um pedido de socorro ecoasse em meus ouvidos. Eu que sempre considerei abominável imiscuir-me na vida alheia, me via ali entre a cruz e a espada.  A vontade de ajudar era tão grande quanto a necessidade de respeitar a individualidade alheia e de manter-me distante. A conversa teve fim minutos depois, mas minhas reflexões e ruminâncias não me deixaram calar de imediato. A discussão comigo mesmo continuou ainda por alguns dias, até que se deu a próxima conversa na qual se desfez aquela impressão inicial. Sua tristeza, diferentemente do que eu imaginara, era apenas momentânea. Talvez minhas reflexões não tivessem mais nenhuma razão de existir. Ocorre que dentre minhas lembranças surgiu uma conversa que tivera outrora com uma outra amiga. Ela me dissera algo que chamou a atenção: “Até quando estou triste, eu sou feliz”. Lembrar-me desta fala me fez querer muito retomar novamente a conversa, mas a situação de momento não me possibilitava fazê-lo. Restou-me analisar a tristeza a partir daquela frase da minha amiga que me veio à mente e com a qual eu concordo plenamente. Não precisamos nos afligir ou nos incomodarmos quando a tristeza bater em nossa porta. Trata-se de um sentimento como outro qualquer. Assim como a alegria, a dor, a saudade, a compaixão e tantos outros, a tristeza existe para ser sentida. Não significa que somos pessoas mal resolvidas ou fracassadas e senti-la, de certa forma até nos humaniza, pois ela é intrínseca à vida humana. Todos estes sentimentos vêm e vão e fazem parte da vida de qualquer pessoa. A frequência e a intensidade com que tais sentimentos afetarão nossas vidas dependerão muito das atitudes e dos procedimentos de cada um. Nossos comportamentos é que definirão quais sentimentos iremos cultivar em nossa vida. Assim, se a tristeza chegar e encontrar solo fértil, ela permanecerá por longo período e poderá, inclusive, estabelecer moradia. Contudo, se ao contrário, soubermos lidar com a questão e compreendermos que um momento triste é apenas uma situação efêmera e optarmos por  dissipar a tristeza e cultivarmos sentimentos “mais nobres”, ela será apenas momentânea e certamente, não nos acarretará maiores danos. Aprenderemos que ser feliz é uma questão de escolha e consiste em um direito universal, não apenas em um milagre ou em algo determinado pelo acaso.

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Sob o Domínio do “Vale Tudo”!

FUTEBOL

Em uma sociedade tão competitiva como a que  vivemos atualmente, a alegria pela conquista dos nossos objetivos justifica quaisquer meios utilizados para conseguirmos alcançá-los? Será que para  alcançarmos nossos objetivos vale a pena passarmos por cima de tudo e de todos, sem nos importarmos se erros foram cometidos, se injustiças ocorreram ou se outros foram prejudicados? Tais indagações gritam em meus ouvidos em meio à intensa comemoração pela conquista de um título de torneio de futebol, em que o resultado foi flagrantemente fraudulento. O comportamento dos torcedores nessa situação deixa evidente uma característica marcante da nossa sociedade atual: “Tudo é permitido desde que eu me dê bem e obtenha vantagem”. A questão futebolística não é o cerne da questão, ela apenas é o retrato fiel da nossa sociedade moderna.  Mas rivalidades à parte, não deixa de ser instigante o fato de a torcida comemorar de maneira insana, desconsiderando os erros  cometidos pela arbitragem durante a partida. Interessante também que poucos ou quase ninguém comentassem os últimos acontecimentos que envolveram as fases finais do torneio. Decisões nitidamente tendenciosas, mas que acontecem de maneira tão corriqueira em nosso meio, que já não incomodam a ninguém.  Fazem parte da rotina da nossa sociedade onde “vale tudo” pra se dar bem. Onde ainda impera a famigerada “Lei de Gerson”. Para não ficarmos apenas no plano esportivo, podemos utilizar a mesma lógica em outros assuntos, como por exemplo, na política. Aqui também prevalece a mesma teoria. Um político pode até ter o caráter um tanto quanto duvidoso, mas isso não tem a menor importância se ele oferece pequenos favores ou uma vaga de emprego em seu gabinete. Atendendo às nossas demandas particulares, a coletividade que se dane. A probidade não interessa. O que vale mesmo é olharmos para o próprio umbigo e os problemas dos outros ficam para segundo plano. Cobramos um país mais justo e uma postura honesta dos políticos, mas estranha e contraditoriamente agimos da mesma forma no nosso cotidiano. Se estivermos sendo favorecidos não há o que questionar… Está tudo certo, mesmo que nossa consciência diga o contrário. Basta esconder toda a sujeira debaixo do tapete, estampar aquele sorrisão amarelo no rosto, estufar o peito e tocar a vida… No caso do futebol, soltar o grito de “É CAMPEÃO!!! Mesmo que seja campeão da imoralidade, porque para os cristãos modernos, bastam a fé e a religião. A paz e a justiça, estas são meros detalhes.